sábado, 12 de julho de 2014

Oposição

Sentir-se perdido na neblina, sozinho, olhar para todos os lados e ver rostos de desprezo. Procurar um caminho no meio dos gritos que se desfazem aos poucos, ver a chuva e tudo a sua volta cair, fuja, fuja para longe, procure pessoas como você, mas que no fundo só serão usadas, e depois descartadas. Faça o seu desespero sumir, passe para outra pessoa. Procure o poder, corra atrás do poder, sinta o poder nas suas mãos, e se vingue de cada um que lhe deu as costas ou tentou te impedir. Mate todos, arranque seus corações, e jogue no fogo.

Um Conto Qualquer

E em mais um dia de sua morte, ela se arruma, e nem ninguém imaginava. que aquela noite seria marcada..
Após colocar os belos saltos preto e decretos de sua mãe, uma saia jeans justa que lhe cobria até a canela, e sua camiseta social comprida, juntamente com seus óculos escuros e seu chapéu aba aberta. Ela coloca um revolver em sua bolsinha de mão, e sai de sua casa.
Naquela noite, tudo estava calmo, as ruas estavam vazias. Ela depara-se com uma leve garoa vindo dos céus. Ela caminha, caminha com os belos saltos, e a cada passo, o barulho estalava em seus ouvidos como se fosse o maior estrondo daquela rua.
Caminha, caminha, e visualiza aquela bela construção antiga, construção gótica, com suas inúmeras torres das quais cobriam a lua e seu brilho no céu, e com janelas enormes e vidros detalhados.
Ela segue na direção, varias estátuas com expressões arrepiantes lhe fitavam agora, sua respiração começa a ficar ofegante, esse som se fundia agora com os barulhos de seus passos, um barulho de solidão e cansaço.
Ela chega a entrada daquela bela igreja, encosta as mãos na maçaneta das enormes portas, e com uma delicadeza desigual, pressiona a porta que começa a se abrir, e emana um barulho como se estivesse fechada a muitos anos e pela primeira vez pudesse gritar.
E lá do centro da igreja, diante daqueles milhares de bancos vazios, estátuas, e velas acesas, vinha um barulho, um barulho de cantoria, cantoria desprezível de vozes tremidas como o medo. Ela então caminha até a melodia com seus passos barulhentos, e conforme caminha, começa a diferenciar os vultos na frente. Havia uma figura humana coberta por uma capa, olhando para um corpo deitado em uma maca, um corpo pequeno, gelado, pálido, vestido de branco, e em frente varias velas, e duas mulheres velhas de sabedoria cantando.
Então chegando a eles, ela fala com a voz aveludada e calma "Já perdi meu pai e minha mãe. Irmãozinho, você eu não vou perder, você ficara comigo." Então debruça sobre o pequeno corpo e finge um choro, e quando o homem encapuzado se vira para as velhas sabias cantoras, ela saca a arma, e com 3 tiros, mata cada um.
Pega o pequeno corpo, e corre com ele, corre, e a cada passo apressado que ela dava, parecia que as coisas se distorciam, ela acaba saindo pelos fundos daquela terrível igreja, onde encontra vários túmulos, onde encontra o túmulo de sua mãe, e diante dele, ela pega o pequeno garoto, e acorda daquele sono profundo, o acorda, mas não lhe devolvendo a vida. Apenas lhe acorda com uma mordida e muito sangue.
Ela o abraça fortemente, com medo de que tivesse chegado tarde de mais, pois ele já estava morto a duas horas, então a garoa para de cair.
Ele abre os olhos, e diz "senti o seu medo".

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Encontro

Nas dedilhadas do piano, ela viajava.
Nas dedilhadas do piano, ela se reencontrava com o passado.
Nas dedilhadas do piano, ela se sentia viva.
Viva, como as notas..
Ela trazia a vida, através de algo morto..
Ela conseguia reviver seus momento..
Reencontrar lembranças e emoções de um lugar que agora não existe..
As notas fluíam na matéria, e fazia com que ela sentisse..
Durante noites.. e mais noites.. sentada diante do instrumento,
de sua vida..
Nas dedilhadas do piano, ela sorria..
Nas dedilhadas do piano, ela se encontra..
Nas dedilhadas do piano..

sábado, 19 de outubro de 2013

Covardia

E que tal se um dia você parar com essa covardia e dominar seu medo?
Em seu belo e arrumado caderno da vida. Tome conta e domine esse terror que tanto toma conta de você. O pegue pela garganta e o arraste até a garagem, o amarre, e o faça mil e uma perguntas, tire todas suas duvidas, saiba todas as verdades, e por fim, o liberte. Pois todos merecemos a liberdade, e talvez esse medo seja único e exclusivamente seu, e com o tempo ele se torna seu amigo. Mesmo aprisionado.

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Minha pequena alma inocente, Milena..

Milena, Milena, minha criança, como sinto sua falta. Minha bela menina de cabelos negros e olhos claros, sem você meu coração fica com um buraco, um vazio.
Te conhecer foi tão imprevisível, e agora você partes de minha caminhada, sem voltar. Volte para mim, venha ser minha amiga novamente, preciso de você. O amor que sinto por voce é grande, grande como Lua, e todas as estrelas.
Sentir sua presença, sua inocência, ouvir sua voz meiga, poder conversar e te "abraçar", ter sua companhia durante longos dias trancada no quarto, conversando, brincando, e esperando a noite chegar para caminharmos sob a luz do luar..
Os dias estão passando, como água que escorre entre os dedos. Dias que nunca mais voltaram, mas você pode voltar.
Venha me visitar esta noite, venha me proteger, venha me observar enquanto durmo. Minha doce, doce criança..

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

L I (F) E


Em um fim de tarde uma bela moça, delicada e sensível como as pétalas de uma rosa, mas que ao mesmo era forte e se defendia como os falsos espinhos da rosa, chorava. Chorava como se fosse o ultimo dia de sua vida, como se tudo que ela tinha como ideal não valesse e nem fizesse mais sentido. Sentada em sua cama, com as lágrimas por todo seu rosto, olhos vermelhos e inchados, sem forças. Pensou em desistir da magia dada a ela, a vida, a magia impalpável e irreversível quando perdida. Ela se levanta, e decide que nao deve mais viver, passa a mao no rosto, e seca as lagrimas. Encosta seus pés ao chao, e em pequenos passos pega sua mochila, e caminha até a gaveta velha de madeira de seu guarda-roupas, e pega um canivete, seu celular, e seu fone de ouvido, coloca tudo em sua mochila. Senta-se na cama, observa seu quarto, e cada detalhe como se fosse a ultima vez. Coloca um tenis, e sai do quarto. Sai da casa. Pega um caminho, para o desconhecido. E caminhando sozinha, ela ia. Até que depois de algumas horas, ela pega um ônibus e decide descer num lugar longe e diferente onde ninguém a conhecia, e lá ela encontra um aglomerado de árvores. Uma semi floresta. Era o lugar perfeito. Ela de vagar vai caminhando até aquele aglomerado, e entrando por entre as árvores, ela percebe que o clima fica fresco, mas ao mesmo tempo frio e vazio, e um silencio se faz naquele lugar, um silencio tão forte a ponto de ela conseguir ouvir seus próprios batimentos. Então ela decide se sentar com as costas apoiada em uma das árvores mais centrais. O Sol já se punha, e começava a ficar escuro tudo por ali. A bela moça sentada, fecha os olhos, mas mesmo no silencio da floresta, sua mente gritava.  Ela encosta a mão no coração, e pensa como um desejo, que ela queria paz, gostaria de poder sentir a verdadeira vida, e sua magia, mas que ao mesmo tempo não tinha forças para o mundo. Ela sente uma pequena brisa quente em seu rosto, sente uma energia, e com os olhos ainda fechados e com as mãos tenta palpar essa energia, que se desfaz e ela acaba encostando a mão na terra, e sente como se estivesse conectada com o mundo inteiro, a terra cheia de energia, e vida, que era pisoteada e desvalorizada, mas que conectava tudo ao centro da vida. Ela abre os olhos e se levanta, e com um amigo, o vento a abraça e envolve numa caminhada dançante, e leva ela por entre as árvores. Até que ela chega em uma parte aberta dessa floresta. Ela olha para o chão, e de repente sente um nó na garganta como se tudo desmoronasse novamente, sentasse naquele meio, e olha para o céu. As estrelas pareciam se mexer e estalar como se conversassem entre si. E aquilo foi algo que a emocionou muito, e seus próprios olhos pareciam estrelas de tão brilhantes que estavam, e suas lágrimas pareciam diamantes que caiam pedra a pedra. Ela se sente sendo puxada para cima, uma magia a puxou, ela estava flutuando, e la estava a maior atração da noite, uma bela lua crescente, que prometeu conforto e paz. A bela moça aceitou, sua beleza foi unida a da lua.. E a lua se transformou, se completou. A bela moça continua lá, todas as noites, olhando todos aqui na Terra, e ajudando pessoas como ela, que perdem a razão e o verdadeiro significado da vida.